Deixei de sentir. sentia-me imune a qualquer tipo de sentimento. Já nada me afectava, deixei de guardar rancor, de me sentir zangada, de odiar, de adorar. Não fazia sentido sequer, era um vazio. As lágrimas já não caiam e o sorriso era falso. O olhar deixou de ter brilho, e alegria desvanesceu-se. Não havia volta a dar, deixei-me entrar num profundo do qual não conseguia sair. Quando dei por mim, já não me reconhecia a mim mesma, já não sabia o que era sonhar, já não gostava de ninguém, já não tinha noção do tempo. Deixei de confiar em qualquer pessoa que fosse, deixei de falar.Tudo o que era meu, todos os que gostavam mesmo de mim, também me esqueci deles. (...)
M: pára, mas pára mesmo. ou vais obrigar-me a gritar que tudo em ti me irrita ao mais ínfimo ponto da minha consciência? acredites ou não, esses teus olhos já foram um encanto para mim. já desejei milhões de vezes tocar nas tuas mãos, abraçar-te e segredar-te “amo-te”. mas não agora. cruzei os meus braços, encostei-me á parede, cerrei os lábios, e olhei em frente, mostrei-te o quão zangada estou, por isso, pára. eu amei-te, mas não és o homem da minha vida. por isso, pára, não fales, não olhes para mim, pára de fingir que estás preocupado comigo, porque tudo isso me irrita, como e porque – não sei, muito honestamente. PÁRA. és mesmo irritante, e eu estou farta de ti. eu sou feliz, e estou farta de o repetir centenas de vezes ás pessoas que pensam que ainda me afectas, que pensam que a nossa história não tem um fim (…) porque eu sou feliz, assim.
J: não acredito que seja assim
M: é, e foi desta que acabou
J: não, ainda te amo.
M: não, tu não amas mais ninguém para alem de ti
J: gosto muito de ti..
M: adeus, e até nunca
- custou mas foi.
Fevereiro de 2010, um capitulo que acabou (felizmente).
[peço desculpa , senti-me nostálgica]