about me
- Mara Tropa De Barahona
- na vida eu só espero rir das quedas, aprender com os erros, e continuar a acreditar que no final tudo vai dar certo, sempre.
16/02/2011
Já me perguntaram o que é que eu fazia aqui, se era realmente este o meu lugar, se eu tinha vontade de ficar ou de largar tudo, sem qualquer receio, e fugir. Apetecia-me fugir, hibernar durante um tempo e só depois regressar. Já precisei de horas infinitas de sono, de dormir só para não ter de andar com os olhos abertos. Recusava-me a ver, negava as evidências. A verdade é que, para além dos sonhos, nada mais me dava alento. Mas isso são apenas tempos remotos, aos quais eu não eu quero voltar. Desta vez, sei que não posso lá voltar, nem quero. Foi assim, até um dia. Até ao dia em que os olhos brilharam naturalmente e sorriram, como nunca antes haviam feito. E foi nesse mesmo dia que o coração quis dançar, voou sem asas e não caiu, nunca se desfez. O coração que me traía sempre, despertou e viu, com olhos de ver, a vida que tinha pela frente. Deixou de cumprir apenas a sua função física e começou a dançar e a encantar corações alheios. Aqueceram-me as mãos, deram balanço ao coração e ainda me devolveram o brilho perdido no meu olhar. A partir desse dia, deixei de estar sozinha. Guardei e continuo a guardar palavras que me permitiram ver para lá de todas as barreiras que a vida me tinha imposto. Sem me aperceber, começaram a surpreender-me. A vida revelou-se uma surpresa e disse-me, em silêncio, que todos os dias eram uma batalha, mas também uma dádiva, e por isso eu não podia desperdiçá-los inconscientemente. Demorei muito tempo a perceber isso, muitos Invernos gelados passaram por mim, muitos dissabores tive de sentir e muitos erros precisei de emendar. Mas a verdade é que o dia de viver chega sempre, por mais que tarde. A verdade é que temos de conhecer todos os caminhos errados que nos levam às pessoas certas.
