about me
- Mara Tropa De Barahona
- na vida eu só espero rir das quedas, aprender com os erros, e continuar a acreditar que no final tudo vai dar certo, sempre.
02/06/2011
that's all
não sei como explicar isto. normalmente, quando tenho à minha frente o material típico da escrita, quer seja um teclado, quer seja uma folha de papel e uma caneta, consigo sempre explicar. expressar-me devidamente. todavia, agora, não me sai absolutamente nada. não sei como entender o meu coração, como descobrir o que está a acontecer dentro de mim. penso ser algo semelhante a uma tempestade. uma autêntica tempestade. algures perdida pelas ruas da minha alma, encontra-se a chuva. a chuva e as suas lágrimas furiosas. a chuva, que me molha, que me envolve no seu próprio drama de água. como companheiro antigo, existe também o vento. o vento que me puxa para os pensamentos mais curiosos, mais obscuros, mais diferentes. os pensamentos que me tomam durante horas, deixando-me junto do espelho, a mirar um mundo longínquo. mas os trovões, e os relâmpagos, no céu negro que representa o quão magoado está o meu coração, esses são a luta constante, a luta terrível de alguém que quer gritar, que quer chorar, que quer desaparecer, que quer fazer desaparecer, que quer magoar, que quer culpar, mas que jamais consegue, pois a humanidade dentro de mim, as casas e as pessoas assustadas com a tempestade, estão protegidas e protegem os seus. tudo completamente ridículo, ao fim e ao cabo. sucintamente, o que eu me questiono ao olhar-me no espelho, o que não me sai da cabeça, é o porquê dos humanos, dos homens, da sociedade em questão, terem tanta vontade e tanto prazer em magoar, esperando que um pedido de desculpas vá resolver tudo. e porque é que, se me magoaram, se me apunhalaram com tanta força, eu não consigo acertar, porque é que não consigo retribuir, porque é que não me consigo transformar, realmente, numa tempestade, e destruir tudo o que me destruiu a mim.
